José Borges vai a eleições nas próximas autárquicas em rutura com o PSD Paredes. Ao EMISSOR, o presidente da Junta de Louredo fala em “cabala contra mim” e garantiu que a comissão política concelhia social-democrata está “há mais de um ano à procura um candidato para a Junta de Louredo”.
Foi acusado de ter abordado elementos da sua equipa num jantar para avançarem com uma lista pelo PS. É verdade?
Li isso no texto publicado no EMISSOR e não entendo. Fala de pessoas que ninguém sabe quem são, que dizem que terei afirmado que seria candidato pelo PS, e isso é mentira. Ficou muito feio dizerem que tenho um compromisso com o PS, que um Manuel Carlos disse isto... que um Manuel José disse aquilo… Não cuspo no prato onde comi, nunca o fiz, e, se alguém o faz, não sou eu. O meu partido [PSD] nunca me deu nada e trabalho para ele desde 1982, sem ter nada em troca e, por isso, merecia muito mais respeito. Quem cospe para o prato é o PSD Paredes, que deve muito a Louredo e esta freguesia tem dado muitas vitórias ao partido.
É ponto assente que não será recandidato pelo PSD?
Há mais de um ano que o PSD anda à procura de um candidato para Louredo. Anda a fazer pedidos a várias pessoas e sem nunca me terem perguntado se eu queria ser recandidato. Baseiam-se nos meus comportamentos nas Assembleias Municipais, que, por vezes, são de elogiar o trabalho desenvolvido pelo executivo em prol de Louredo, nomeadamente, os planos que contemplam obras pedidas por mim. Aliás, há outros colegas do PSD que têm feito o mesmo. Se as minhas obras foram pedidas, feitas e pagas naquelas contas, sinto a obrigação de as viabilizar. Fiz isso e há outros colegas que também o fazem, mas, questiono, porque fui o único visado na última Assembleia Municipal, por ter votado favoravelmente nas contas do município? Beire, Sobrosa e Duas Igrejas também votaram, mas porque sou o único visado?
Sente-se perseguido pelo partido?
O PSD Paredes está a montar uma cabala contra mim. É verdade que promovi uma reunião com os meus elementos, não para lhes pedir apoios, mas para os informar do comportamento vergonhoso na última Assembleia Municipal e que envergonhou o PSD. Ficámos reduzidos a menos de 50% dos deputados na última Assembleia Municipal, porque alguns ficaram revoltados com aquele comportamento e abandonaram a sala. Tenho colegas meus do partido que, no final da Assembleia, vieram prestar-me solidariedade. Não sou só eu, há mais colegas meus do PSD que estão contra o próprio partido, neste momento.
Tem sido alvo de algumas críticas nas redes sociais…
Há páginas de Facebook anónimas que têm aparecido por aí. O que posso dizer é que são cinco anos de contas aprovadas e nunca apresentei saldos negativos. Temos uma capacidade enorme de investimento e todos os dias fazemos obras. Só tenho pena que o PSD não aproveite um presidente que trabalha sempre com grande convicção. Estou disponível para me afastar porque foi o PSD que disse que não me queria.
Que balanço faz deste seu mandato?
Já se fez mais em Louredo nestes três anos de mandato do que nos primeiros quatro anos com o PSD no poder. Neste mandato inaugurei um polidesportivo, uma Casa da Cultura, uma Capela Mortuária, comprei uma carrinha para a Junta. É um investimento inigualável e uma vontade muito grande do município. Vou agora entrar numa guerra só para fazer a vontade ao meu partido, e contra um executivo que foi democraticamente eleito? Em Louredo ganhou o Alexandre Almeida e só tenho que respeitar isso.
É irreversível um entendimento com o PSD?
É irreversivel… Tivemos eleições para a comissão política concelhia em lista única e a verdade é que o presidente, Ricardo Sousa, não gosta de mim. Está a criar instabilidade na freguesia de Louredo e a prejudicar o normal funcionamento dos órgãos da autarquia. Com ele não quero nada. Sou Social-Democrata, militante até me deixarem e, se depender de mim, serei membro PSD até ao final do mandato, mas com ele não consigo entender-me, nem pretendo ter qualquer relacionamento. Está a demonstrar que não me quer como candidato. Por isso, é natural que surjam partidos interessados em apoiar uma recandidatura minha, tenho muito trabalho feito e que era impensável fazer na freguesia, por exemplo, ao nível da promoção turística.
Assume que vai a eleições por outro partido?
É natural que comecem a surgir manifestações nesse sentido. Nunca disse por que partido e só o direi na hora certa. A única certeza que tenho é que serei candidato em 2021. A tempo certo decidirei com quem. Com o PS existe apenas um grande respeito e cooperação. Entre mim e o Alexandre Almeida uma admiração mútua, muito trabalho feito e ainda muito para fazer.
Essa cooperação poderá valer o apoio do PS?
Que fique claro.. medindo a dimensão do que o executivo da Câmara tem feito em Louredo, sem que eu tivesse oferecido nada em troca e sem me terem pedido nada, e atendendo a que, neste momento, o PSD, ao procurar outros candidatos em Louredo, manifesta que não me quer, é muito natural que, se surgir essa possibilidade, posso vir a dizer que sim ao PS, como a um projeto de outro partido que não o PSD. A certeza é que não irei como independente, isso é ponto assente, mas há muita gente que já manifestou o interesse em apoiar uma candidatura minha como independente, mas serei recandidato por um partido e direi qual no tempo certo.
