O alegado incumprimento do isolamento profilático de 14 dias a que Humberto Brito estaria obrigado, devido a um teste positivo à COVID-19, vai ser investigado pelo Ministério Público. Direção-Geral da Saúde confirmou ao EMISSOR que os 14 dias de isolamento devem ser cumpridos, mesmo os casos suspeitos.

O presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira anunciou publicamente, no passado dia 8 de julho, que testou positivo à COVID-19, no seguimento de um surto do vírus detetado na Câmara Municipal e que levou ao encerramento das instalações por motivos de segurança e de saúde pública entre os dias 8 e 14 de julho, reabrindo de forma condicionada no dia 15 de julho.

Humberto Brito confirmou ter sido, na altura, um dos quatro infetados da Câmara Municipal, colocando-o em isolamento profilático, conforme estipulado pela Direção-Geral da Saúde. No entanto, o autarca terá ‘furado’ o período de isolamento no dia 12 de julho, segundo uma denúncia feita pelos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira, depois de terem abordado o presidente e o terem questionado por não estar em quarenta. Humberto Brito contrapôs com a apresentação de dois testes negativos feitos posteriormente ao resultado positivo, colocando ainda em causa a veracidade do teste positivo, realizado pelos laboratórios Vale do Sousa. No entanto, e conforme o EMISSOR já havia noticiado, o Instituto Ricardo Jorge deu o parecer positivo e a respetiva certificação à entidade sediada em Penafiel.

O EMISSOR quis tentar perceber junto das instâncias competentes se houve, ou não, incumprimento ao isolamento profilático junto do Ministério da Saúde e Direção-Geral da Saúde, tendo estes esclarecido que, “existindo um teste positivo para SARS-CoV-2, qualquer cidadão deverá ficar em isolamento ou em internamento, dependendo da necessidade de cuidados”. A mesma fonte acrescentou que “o isolamento aplica-se para o período de 14 dias e a todos os cidadãos com suspeita ou caso confirmado de COVID-19”, deixando a ideia de que Humberto Brito deveria, efetivamente, cumprir os 14 dias de isolamento, independentemente de ter testado negativo durante esse período.

Irmão de Humberto Brito cumpriu os 14 dias de confinamento

O pároco de Raimonda e Freamunde, Manuel Brito, irmão do presidente da autarquia de Paços de Ferreira, informou, no passado dia 9 de julho, através das redes sociais, que também esteve infetado com COVID-19, como consequência de um almoço de família, juntamente com o seu irmão, Humberto Brito. O Pároco informou depois que, afinal, nunca esteve infetado, mas, mesmo assim, cumpriu os 14 dias de isolamento profilático.

Entretanto, o EMISSOR contactou o presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira para que esclarecesse o motivo que o levou a realizar testes depois de ter obtido o resultado positivo. Este referiu que os testes efetuados após o caso positivo foram feitos para “tirar dúvidas porque não havia motivos para testar positivo”, confirmando ter efetuado os exames no Hospital de S. João, no Porto. “Fiz duas zaragatoas e dois testes serológicos por análise ao sangue”, teste esses efetuados nos dias 14 e 21 [julho] e já tinha feito dois testes antes que também atestavam estar negativo à COVID-19 “, acrescentou Humberto Brito, que confirmou ainda ter sido informado pela GNR sobre a denúncia feita pelos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira.

GNR enviou expediente ao Ministério Público

O comando Geral da GNR confirmou que o Posto Territorial de Paços de Ferreira “foi alertado para uma possível violação do confinamento obrigatório no domicílio, por parte de um cidadão”, mas a apresentação dos dois testes negativos levantou dúvidas às autoridades, que levaram a pedir esclarecimentos às autoridades de saúde, perante o qual [“(…) para efeitos de data de cura, legalmente estabelecida, deverá a colheita ser efetuada ao 14.º dia”]. Perante esta incongruência dos factos, o Comando Geral da GNR confirmou que “foi o expediente remetido ao Ministério Público”.

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