A seguir às férias, o silêncio andou preso às pessoas, como se fosse uma cobra. Por isso, a nossa cidade foi o domicílio do espanto, que me levou a abrir boca e a pensar que havia alguma coisa fora da prateleira.

Ontem, depois do jantar, estive a mexer no fundo das gavetas, porque, de um momento para o outro, a saudade invadiu o meu pensamento. Por isso encontrei esta foto, que, para mim, é uma relíquia.

A noite caiu. Nas ruas, os candeeiros iluminam os passos dos transeuntes, que, ao contrário do que era suposto, andam quase abraçados.

No início, um grupo de amigos, preocupados com a divulgação da cultura e da tradição da nossa terra, trouxe para o mundo dos vivos “Os Expansivos”, que era e é uma associação de carácter cultural e recreativa.  

No meu quarto, junto à cama, tenho duas mesas-de-cabeceira e, em cima delas, tenho livros e candeeiros. Na minha sala, tenho um sofá, uma televisão e uma mesa, que, aos fins-de-semana, aproveito para pousar os pratos, os copos e os talheres.

De um momento para o outro, caiu uma bomba. Não uma bomba que destruiu prédios e estradas, parques e rios, e, por arrasto, uma bomba que destruiu tímpanos e envenenou o ar, mas uma bomba silêncio, que, aos saltos, entrou em vários corpos. E que portanto, permitiu ao medo esburacar o sossego da nossa cidade.